Quem cresceu nos anos 80 e passava as manhãs grudado na TV com certeza guarda na memória os guerreiros metade humanos, metade insetos de Sectaurs, os Guerreiros de Symbion. Exibido no Brasil pelo SBT, o desenho tinha um visual diferente de tudo — armaduras que lembravam carapaças, montarias que eram insetos gigantes e um clima de fantasia sombria que fascinava (e às vezes assustava) a criançada.
A história se passa no distante planeta Symbion, onde, há muito tempo, cientistas humanos conduziam experimentos genéticos. Um cataclismo transformou tudo: os sobreviventes se fundiram com insetos, dando origem a uma raça de seres híbridos, enquanto os pequenos insetos do planeta evoluíram para proporções colossais. Desse mundo transformado surgiram duas facções em guerra — de um lado, o nobre Reino da Luz, liderado pelo Príncipe Dargon; do outro, os temíveis mutantes comandados pelo vilão Spidrax.
O grande charme da série estava na ligação telepática entre cada guerreiro e seu inseto gigante de batalha. Dargon montava o Dragonflyer; Spidrax cavalgava o aracnídeo Spiderflyer. Ao redor deles giravam figuras marcantes como o carismático Pinsor, de bigode e garras de pinça, além de Zak, Vaspax e outros. Era um universo rico, cheio de mitologia própria — talvez rico demais para o formato de desenho de sábado de manhã.
Curiosamente, Sectaurs nasceu ao contrário da maioria: primeiro vieram os brinquedos. A linha de bonecos foi criada pela Coleco nos Estados Unidos (e trazida ao Brasil pela Mimo), e só depois, para impulsionar as vendas, a produtora Ruby-Spears foi contratada para dar vida à animação. Os bonecos eram um capítulo à parte: acompanhavam mini-histórias em quadrinhos nas embalagens e, na versão internacional, os insetos vinham "flocados", cobertos por uma penugem sintética que os deixava ainda mais realistas.
Aqui está a abertura que embalava a exibição brasileira — impossível não sentir a nostalgia bater:
E é aqui que mora a maior surpresa sobre Sectaurs: apesar de toda a fama, foram produzidos apenas 5 episódios. A trama densa e o tom por vezes assustador acabaram limitando a produção. Mas o SBT, fiel ao seu estilo, reprisava os poucos episódios de forma tão exaustiva e fora de ordem que muita gente jurava existirem uns 50! Essa repetição incansável foi justamente o que fixou o desenho na memória de toda uma geração.
O legado, porém, foi muito além da telinha: a Marvel publicou 8 edições em quadrinhos continuando a história, a Editora Abril lançou álbum de figurinhas e livros ilustrados no Brasil, e os bonecos viraram objeto de desejo de colecionadores até hoje. Uma pena que a série nunca tenha ganhado lançamento em DVD — nem aqui, nem nos EUA —, o que a torna uma verdadeira relíquia da nostalgia oitentista, guardada com carinho por quem viveu aquela época.
Ficha técnica
Título original: Sectaurs: Warriors of Symbion
País: Estados Unidos
Produtora: Ruby-Spears
Emissora (Brasil): SBT
Estreia: 1985
Episódios: 5
Personagens: Príncipe Dargon, Spidrax, Pinsor, Zak, Vaspax
Gênero: animação / aventura / fantasia