O título promete um náufrago solitário, mas Robinson Crusoe of Clipper Island é outra coisa: um dos seriados de ação mais movimentados da era de ouro dos serials americanos. Lançado pela Republic Pictures em 1936, ao longo de catorze capítulos, ele pega emprestado o nome do clássico de Daniel Defoe apenas para vender aventura — o que entrega, na verdade, é espionagem, sabotagem e até um vulcão em erupção.
O herói é Mala, um agente da inteligência americana vivido pelo ator havaiano de mesmo nome, Ray Mala — um caso raríssimo, para a época, de protagonista de origem polinésia num seriado de Hollywood. Enviado para investigar atos de sabotagem numa base aérea no Pacífico, a Ilha Clipper, ele se vê no meio de uma trama de espiões dispostos a tudo, inclusive a provocar a erupção de um vulcão — crime pelo qual o próprio Mala acaba sendo culpado injustamente.

Para limpar seu nome, ele precisa conquistar a confiança da princesa local, Melani, e ajudá-la a impedir que um sacerdote rival tome o poder da ilha. É a receita clássica do seriado: perseguições, armadilhas, reviravoltas e, claro, aquele gancho de tirar o fôlego no fim de cada capítulo. Havia até um cavalo herói no elenco, "Rex, o Cavalo Maravilha", uma das grandes atrações das matinês da época.
Com quatro horas somando todos os episódios, este é um seriado que resume bem o charme ingênuo e a energia daquele cinema. Nada de realismo — o que importava era a emoção contínua, semana após semana. Para quem tem curiosidade sobre as origens do cinema de aventura, Robinson Crusoe of Clipper Island é um mergulho divertido num tempo em que o herói podia enfrentar espiões e vulcões no mesmo capítulo, sem pedir licença.
Ficha técnica
Título original: Robinson Crusoe of Clipper Island
País: Estados Unidos
Estúdio: Republic Pictures
Estreia: 1936
Formato: seriado (movie serial) em 14 capítulos
Duração total: cerca de 256 minutos
Elenco: Ray Mala, Mamo Clark, Herbert Rawlinson, William Newell
Gênero: aventura / espionagem